Internet e oralidade

Junho 19, 2008

Gente do Atelier,

Bom dia. Fico feliz com a interação produzida pelo Texto da Fernanda com revisão do Marcelo“>texto da Fernanda. Infelizmente não terei tempo para me dedicar adequadamente a esta questão até o nosso próximo encontro.

Aproveito, no entanto, a mensagem do Luiz Carlos para confirmar suas impressões: a rigor optei por interferir o mínimo no texto, fazendo-o apenas para dar um recorte mais aproximado das produções acadêmicas que conheço. Nesse sentido me preocupei sempre com o contraditório, ou seja, com a possibilidade de que a Fernanda tenha que sustentar oralmente suas posições.

Creio que, para tanto, o texto deveria amadurecer, como disse a ela em comunicação direta. A própria idéia de desencanamento do mundo – linda do ponto de vista da construção do texto – precisa ser elaborada com mais profundidade, uma vez que seguramente ela não tem o mesmo sentido e significado em Weber e Benjamin (e, em sua esteira, em todos os demais frankfutianos). Minha estratégia, portanto, seria a da reconstrução coletiva do texto. Um exercício em que ganha a Fernanda como autora e nós como escritores. Meus ajustes, portanto, não seriam mais do que um pré-texto dessa possível estratégia.

Tenho uma outra concordância fundamental com o Luiz Carlos, que transcrevo:

“continuo à disposição para ser de auxílio no que me seja possível e lembro que poderíamos aproveitar o tempo decorrente entre os encontros semanais, quando ocorrem, para avançar na discussão do que foi proposto como “atelier paulista em revista”.

assim, mesmo a distância e em momentos não presenciais, poderíamos ir trocando idéias e alternando enfoques, ao mesmo tempo em que construindo o tipo de cultura de atividade colaborativa em ambientes virtuais que deverá imperar quando o projeto estiver implantado.”

Creio que essa postura deveria ocupar o centro de nossas atividades. A rigor há uma questão essencial aqui: muitos dizem que a internet e os ambientes virtuais poderiam fundamentar uma nova oralidade. Bem, a cultura oral está na base do que Benjamin, por exemplo, entendeu como uma das possibilidades do que eu chamaria de literatura encarnada, ou seja, que conserva a experiência sensível, tátil, sensual, rítimica, musical de seu grupo de origem.

Se não devemos buscar na oralidade um retorno a ambientes idílicos, devemos construir a partir dela a palavra em sua totalidade e, em especial, em sua musicalidade. Escrever bem talvez seja, no nosso tempo, explorar a dodecafonia, a atonalidade, em lugar do conforto sinfônico. Talvez pudéssemos explorar qualificadamente as possibilidades criativas desse novo ambiente e dessa (possível) nova oralidade.

Acho que nosso grupo reune habilidades para ir longe nessas questões.

Abraços a todos,

Marcelo

Uma resposta a “Internet e oralidade”

  1. politicaspublicasbr Diz:

    Estou adorando esse debate pelo email. Marcelo adorei o que voce escreveu sobre oralidade, no entanto, acho imprecindível nossos encontros presenciais, ainda são fundamentais, assim como ainda é indispensável, por exemplo, o encontro do artista com a matéria concreta e não virtual, do escritor com a palavra, etc. Já estamos há duas semanas sem nos vermos, isso não pode mais acontecer, quinze dias é muito tempo, tudo vai perdendo a consistência, se perdendo.
    Bjs,
    Branca


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