A musicalidade da palavra
Junho 19, 2008
Em um post anterior falava sobre a questão da oralidade, nos seguintes termos:
“A rigor há uma questão essencial aqui: muitos dizem que a internet e os ambientes virtuais poderiam fundamentar uma nova oralidade. Bem, a cultura oral está na base do que Benjamin, por exemplo, entendeu como uma das possibilidades do que eu chamaria de literatura encarnada, ou seja, que conserva a experiência sensível, tátil, sensual, rítimica, musical de seu grupo de origem.
Se não devemos buscar na oralidade um retorno a ambientes idílicos, devemos construir a partir dela a palavra em sua totalidade e, em especial, em sua musicalidade. Escrever bem talvez seja, no nosso tempo, explorar a dodecafonia, a atonalidade, em lugar do conforto sinfônico. Talvez pudéssemos explorar qualificadamente as possibilidades criativas desse novo ambiente e dessa (possível) nova oralidade.
Acho que nosso grupo reune habilidades para ir longe nessas questões.”
Quando penso na musicalidade da língua, em sua contemporaneirade, tenho em mente algo como o que se desenvolve em Koyaanisqatsi (a Branca precisa me desculpar pela péssima qualidade do excerto no youtube), onde música e movimento nos falam de um ritmo inorgânico, não harmônico. Acho lindo tanto por sua aparente anti-naturalidade (o que é natural para o homem?), quanto pelo fato de não tomar o belo como matéria, mas o existente em suas demandas de superação (redenção??).
O que me encanta ainda mais, contudo, é analogia possível – quase arqueológica – com Metropolis de Lang:
Junho 20, 2008 às 2:12 am
A musicalidade da palavra, adorei isso, adorei ainda mais ler os textos ouvindo e vendo simultaneamente, aos saltos, voltas, avanços e recuos, o Koyaanisqatsi e Metrópolis.
Branca
Junho 20, 2008 às 4:41 pm
vamos organizar assistir em grupo no atelier paulista o metrópolis e o koyaanisqatsi, para aprendermos em conjunto quando e como pudermos?
Junho 20, 2008 às 7:35 pm
Branca, bom tê-la on line. Sou apaixonado por estes dois filmes.
Junho 20, 2008 às 7:36 pm
Luiz,
Verei o que posso fazer. Metrópolis existe com fartura, koyaanisqatsi não tenho tanta certeza.