Em um post anterior falava sobre a questão da oralidade, nos seguintes termos:

“A rigor há uma questão essencial aqui: muitos dizem que a internet e os ambientes virtuais poderiam fundamentar uma nova oralidade. Bem, a cultura oral está na base do que Benjamin, por exemplo, entendeu como uma das possibilidades do que eu chamaria de literatura encarnada, ou seja, que conserva a experiência sensível, tátil, sensual, rítimica, musical de seu grupo de origem.

Se não devemos buscar na oralidade um retorno a ambientes idílicos, devemos construir a partir dela a palavra em sua totalidade e, em especial, em sua musicalidade. Escrever bem talvez seja, no nosso tempo, explorar a dodecafonia, a atonalidade, em lugar do conforto sinfônico. Talvez pudéssemos explorar qualificadamente as possibilidades criativas desse novo ambiente e dessa (possível) nova oralidade.

Acho que nosso grupo reune habilidades para ir longe nessas questões.”

Quando penso na musicalidade da língua, em sua contemporaneirade, tenho em mente algo como o que se desenvolve em Koyaanisqatsi (a Branca precisa me desculpar pela péssima qualidade do excerto no youtube), onde música e movimento nos falam de um ritmo inorgânico, não harmônico. Acho lindo tanto por sua aparente anti-naturalidade (o que é natural para o homem?), quanto pelo fato de não tomar o belo como matéria, mas o existente em suas demandas de superação (redenção??).

O que me encanta ainda mais, contudo, é analogia possível – quase arqueológica – com Metropolis de Lang:

4 Respostas a “A musicalidade da palavra”

  1. branca Diz:

    A musicalidade da palavra, adorei isso, adorei ainda mais ler os textos ouvindo e vendo simultaneamente, aos saltos, voltas, avanços e recuos, o Koyaanisqatsi e Metrópolis.
    Branca

  2. luiz carlos Diz:

    vamos organizar assistir em grupo no atelier paulista o metrópolis e o koyaanisqatsi, para aprendermos em conjunto quando e como pudermos?

  3. politicaspublicasbr Diz:

    Branca, bom tê-la on line. Sou apaixonado por estes dois filmes.

  4. politicaspublicasbr Diz:

    Luiz,

    Verei o que posso fazer. Metrópolis existe com fartura, koyaanisqatsi não tenho tanta certeza.


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