Haiti

Julho 18, 2008

Mônica,

Li seus textos e, aos poucos, vou me famializarando com o seu universo de questões. Gosto muito dos seus problemas e, mais ainda, da sua lida com eles.

As interfaces que você faz com a arquetura e com o urbanismo são muito interessantes. Nessa batida, talvez valesse a pena pensar um pouco sobre a organização do espaço e, em especial, dos espaços populares como o Largo da Batata.

Há, naquilo que conhecemos como pobreza, para além de sua própria miserabilidade, uma festa eterna; um Q de carnaval permanente, um despojamento e um descompromissamento que, segundo entendo, nós, bons ou maus burgueses, somos incapazes.

Parece haver em meio à penúria um lado reverso que, justamente por extirpar das expectativas burguesas, lança a um festim e, nessa medida, às várias dimensões das diabruras. Pode parecer absurdo, mas se não pensarmos os espaços populares como lugares carentes da organização citadina, burguesa, talvez encontremos lá, exatamente lá, uma alternativa a um mundo que tem se demonstrado, cientificamente, matematicamente, insustentável.

Tudo isso tem muito a ver com a sua galerização, e seus sentidos distintos: de dentro para fora e de fora para dentro. Essa percepção, como imagem inclusive, pode ser muito proveitosa e produtiva.

Se isso que estou te falando fizer sentido, segundo sua própria percepção de seu próprio projeto, posso ir mais além na tentativa de “escavar” possiblidades. Gostaria, contudo, de saber o que te parece.

Caetano Veloso & Gilberto Gil – Haiti

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