Marcelo, estou de volta após as gravações do documentário “Sonho de Cidade”, no hotel-terminal rodoviário do Tietê. Muitos depoimentos, horas e mais horas – no decorrer da montagem, vou disponibilzar aqui uma parte do material bruto.

Li com muito entusiasmo suas colocações sobre a leitura da minha dissertação. Em especial, uma delas me tocou em especial: “escrever como quem respira”. Marcel Duchamp dizia “meu trabalho é respirar”; Clarice Lispector, em entrevista à televisão, afirmou “quando eu não escrevo eu estou morta – agora, aqui, eu estou morta”.

A sua pergunta, “Ana, será que a imagem é o destino da palavra, na qualidade de texto total?”

disparou em mim não uma sinapse, mas todo um curto-circuito neural. Assim, durante os intervalos de gravação, eu caligrafava, sobre uma ficha de leitura – usando minha técnica do “brainstorm sobre papel” -, um fluxograma, que, a partir de hoje, vou desdobrar diariamente, na Oficina de Escrita.

Uma resposta a “CIRCUITO NEURAL (curto-circuito #1)”

  1. marceloperon Diz:

    Ana,

    Que legal que você viu nexo nisso. Estava relendo um pouquinho de Weber e me deparei ainda com uma colocação dele segundo a qual o desencantamento do mundo também é uma dissociação entre a palavra e a imagem. Há, forçando um pouco a barra, uma supremacia das funções comunicativas da lingua, sobre a dimensão propriamente estética. Talvez a superação da apatia de modernidade, como Weber a pensava, corresponda à necessidade de que a palavra deva voltar a chocar, a acordar. Essa missão ela não pode cumprir sem trazer consigo, sem incorporar, a imagem. Benjamin dizia, coerentemente, que os escritos devem aprender a fotografar. Bom leitor de Weber, ele também, entre outros tantos…


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