AO AGORA DE FOGOS ACESOS (#1)
Julho 26, 2008
“De A”
DE Zeus a Deus Deu$
Do Tyranossaurus Rex ao Dinamosaurus Lexis
do bobo da corte ao robot do norte
do dromedário ao tráfego planetário
da aurora de róseos dedos ao agora de fogos acesos
da ourivesaria estética à energia cinética
do chão natal à estação orbital
do cortinado ao foguete pressurizado
do romano ao marciano
de Carlos Magno ao Pentágono
do brasão aristocrárico ao jargão galáctico
da pedra lascada à palavra lacrada
(Laís Corrêa de Araújo)
“Decurso de Prazo” (1988). In: Inventário – 1951 / 2002. Belo Horizonte/MG: Editora UFMG, 2004


Julho 30, 2008 às 12:16 pm
Acredito sinceramente que a palavra consou da harmonia e pretende, a esta altura, atingir o dissonante, o polifônico, o dodecafônico. Há no mais profundo da concepção do belo uma idéia de Deus que é preciso superar. A rigor, não acredito que o universo esteja animado por uma força que o organizou segundo princípios estéticos que privilegiem formas arquiteturais e estruturais perfeitas, belas. É preciso conferir cidadania plena ao feio e ao bizarro, àquilo que escapa à compreensão, ao inusitado, ao instante que, sem qualquer vínculo necessário com aquilo que o antecede, engendra uma outra configuração do existente e da existência. A palavra humanamente proferida precisa converter-se em palavra mundana, laica e, portanto, política. Palavra da cidade e de seus infitos territórios, todos eles sagrados na exata proporção de sua secularidade. A palavra precisa se reconcilair com a morte e apropriar-se de sua caducidade necessária. Somente homens e mulheres que morrem podem transmitir, conferir, legar. Se a arte resiste à morte é porque não pretende dizer uma palavra final, mas, morrer com palavras por dizer e com muitas portas aberta.