“De A”

DE Zeus a Deus Deu$

Do Tyranossaurus Rex ao Dinamosaurus Lexis

do bobo da corte ao robot do norte

do dromedário ao tráfego planetário

da aurora de róseos dedos ao agora de fogos acesos

da ourivesaria estética à energia cinética

do chão natal à estação orbital

do cortinado ao foguete pressurizado

do romano ao marciano

de Carlos Magno ao Pentágono

do brasão aristocrárico ao jargão galáctico

da pedra lascada à palavra lacrada

(Laís Corrêa de Araújo)

“Decurso de Prazo” (1988). In: Inventário1951 / 2002. Belo Horizonte/MG: Editora UFMG, 2004

Uma resposta a “AO AGORA DE FOGOS ACESOS (#1)”

  1. marceloperon Diz:

    Acredito sinceramente que a palavra consou da harmonia e pretende, a esta altura, atingir o dissonante, o polifônico, o dodecafônico. Há no mais profundo da concepção do belo uma idéia de Deus que é preciso superar. A rigor, não acredito que o universo esteja animado por uma força que o organizou segundo princípios estéticos que privilegiem formas arquiteturais e estruturais perfeitas, belas. É preciso conferir cidadania plena ao feio e ao bizarro, àquilo que escapa à compreensão, ao inusitado, ao instante que, sem qualquer vínculo necessário com aquilo que o antecede, engendra uma outra configuração do existente e da existência. A palavra humanamente proferida precisa converter-se em palavra mundana, laica e, portanto, política. Palavra da cidade e de seus infitos territórios, todos eles sagrados na exata proporção de sua secularidade. A palavra precisa se reconcilair com a morte e apropriar-se de sua caducidade necessária. Somente homens e mulheres que morrem podem transmitir, conferir, legar. Se a arte resiste à morte é porque não pretende dizer uma palavra final, mas, morrer com palavras por dizer e com muitas portas aberta.


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